quinta-feira, 5 de maio de 2011

Apenas lembranças





Há um lamento, a tinta ainda esta na palma das minhas mãos...
Um pedaço de papel, uma nota escrita com a suavidade dos meus dedos. Com as mãos trêmulas.
Estávamos em nosso jardim, lugar de costume. Você sentado no banco, ali guardado tantos segredos, dos seus olhos aproximava-se a luz de um último esforço. A luz era pouca, um reflexo de tristeza profunda envolto na janela da alma. Fiquei lá nas bordas do mar batido por teus cílios, as pálpebras rolando nas ondas da sua alma. Uma espuma que veio picotar a superfície dos sentimentos, vivo naquelas poucas lágrimas que encalhou neste pedaço de página arrancada, onde você tinha escrito algumas palavras. Se um dia eu vim e cai no seu oceano, você também se afogou no meu.
Me lembro do silêncio, o silêncio dos nossos pensamentos voando sobre o outro, um segundo de vibrações em meu coração ecoando no seu. O tempo passou sem ser capaz de responder, incapaz de falar, minha boca e minha alma estavam secas pelas ondas de uma dor constante e insegurança. Minhas palavras foram abafadas pela violência dos teus gestos que também ficaram endurecidas pela tinta no fragmento daquela página. Uma etapa que foi correndo com medo, medo de uma realidade que foi se queimando. Neste silêncio, fixo meus olhos nas cascatas do meu coração. Como um rio tentando superar todos os obstáculos, o rolar das minhas lágrimas faz furos com cada batida silenciosa. Chorei por tudo que compartilhamos. O sopro das palavras que você criou e achava que apenas eu sabia estavam como uma chuva de pérolas ecoando em meus pensamentos. A frase de consolo com um carinho que uma criança precisa ouvir para dar luz em seus olhos e brilhar nos seus lábios fazendo um sorriso renascer. No seu caloroso abraço meu coração se acalmou, meus olhos subiram a superfície podendo ver novamente as estrelas do céu pontilhando meus/seus olhos. Suas mãos acariciando meu rosto com um toque reconfortante, teus lábios ao encontro dos meus buscando o doce néctar sabor do amor. Um toque, um beijo, um amor que só você sabia buscar conquistar com sua persistência.
Acordei para a vida, pensei que era uma etapa perdida, por já estar no abismo do medo, achei que seria como jogar um rio no oceano.
Você incendiou a margem da minha angustia com o seu forte desejo como um farol para a memória eterna.
Passamos mais um momento juntos criamos uma nova realidade formada pela a experiência da separação que você me fez tomar consciência.
Sempre o nosso amor foi como uma frágil embarcação em que estávamos navegando ao longo do tempo, sobre os nossos medos.
Eu ainda com o pedaço de papel, uma nota escrita com a suavidade dos meus dedos. Agora as mãos mais trêmulas ainda com a onda das tuas palavras que nunca parei de ouvir e escrever.
Mas que hoje são apenas lembranças.


Rosangela Colares
17/11/2011



Um comentário:

EDSON MILTON RIBEIRO PAES disse...
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