terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Em algum lugar do passado


   Em algum lugar do passado

Quando eu mais precisei, lá estava você para me ouvir...
Quando eu estava no fundo do poço, jogou uma corda de palavras
Emendadas em poemas e sonetos eruditos,
Nos quais me agarrei com tamanha força, que quase o derrubei...

Mas bastou ver o meu rosto, já na luz do dia, saindo da penumbra,
Que soltou as palavras e jogou-as em outro canto, quem sabe, em outro poço...
Nem me esperou sair...
E agora não estou nem fora nem dentro... Mas no meio do caminho.

Então, enquanto não aparece mais alguém para jogar-me outro poema feito corda,
Passo o meu tempo a olhar, pelo foco redondo, o céu azul e limpo, feito binóculo
E a ver refletido na água que existe no fundo, todo o azul do infinito,
Imaginando que um dia sairei deste lugar e encontrarei um mundo bonito,
Onde as palavras não fogem, não mudam de dono, não me deixam em abandono.

Espero que esse dia não demore muito e o meu rosto não perca as suas linhas,
Espero que a poesia não seque quando a água do poço acabar...
Quem sabe um dia, passe por mim e se lembre que deixou algo inacabado
E também se arrependa por ter-me descompensado!

   Os versos, fiéis companheiros,  não me abandonam,
São eles que me consolam nos momentos difíceis.





Rosangela Colares 17/11/2011


Um comentário:

Míriam disse...

A poesia é a flor da alma e tens a alma em flor, amiga.
Da tua amiga do orkut,
Míriam