quarta-feira, 13 de abril de 2011

Nossa aliança!

O sujeito poético não é o "poeta".




Meu amado respirava com sofreguidão e minha alma gemia de dor maduramente comovida. Sabíamos que o que experimentávamos era a consolidação do amor, que, após longa tormenta, se assenta soberano no fundo dos mares da alma, para sempre.
E assim estávamos. Começou a chegar um vento suave trazendo uma chuva especial de modo sereno, fino, leve e esperançoso. E já bastante molhada pela chuva que caía como um oportuno momento batismal, com a voz fraca e trêmula de paixão, disse:
Eu vou amá-lo para sempre. Mas aqui me despeço, embora não me des-peça. Viveria tudo outra vez! Mas este é seu mundo. E em certos mundos precisa-se entrar na hora certa, ou então nossa presença neles muda o centro de gravidade das almas e tudo vêm abaixo. É por amor a você que digo aDeus.
Chorei em silêncio, as lágrimas eram de indizível dor.
Nenhum outro homem tocará meu corpo, para sempre. Esperarei por você até que a morte morra e deixe de ser o que sempre foi, com a face inundada de lágrimas grossas e profundas, que também lhe escorriam pela sua alma, fertilizando-lhe o ser com a força sutil de uma consoladora ternura.
Nunca mais serei completamente feliz. Em qualquer mundo em que eu esteja ficarei sempre de pé, sem ter onde me sentar. Carregarei seu amor em mim eternamente, quase sem conseguir falar.
Não esqueça a fruta doce que acalma, ela é a nossa aliança para sempre.

(poema em homenagem ao Reverendo Caio Fabio, meu amigo/irmão e colega eclesiástico.
Inspiração em cima do seu livro "Nephilim").

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